17 set
2010

PF planeja operação pente-fino nos contratos entre a Casa Civil e empresa de filhos de Erenice Guerra

Fonte: O Globo

BRASÍLIA – A Polícia Federal (PF) deverá fazer uma operação pente-fino sobre todos os contratos entre empresas privadas e o governo federal que teriam sido intermediados pela Capital Assessoria e Consultoria, empresa de Israel e Saulo, filhos da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra . Estão na mira da polícia a renovação do contrato da Master Top Airlines (MTA) com os Correios e um pedido de financiamento da EDRB do Brasil , de R$ 2,25 bilhões, ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

As suspeitas de tentativa de tráfico de influência de Israel abriram uma crise no governo e pode respingar na campanha à presidência da República da ex-ministra Dilma Rousseff (PT). As denúncias, que começaram a ser divulgadas desde sábado, já resultaram na demissão de Erenice , ex-braço direito de Dilma no governo, e de Vinícius Castro, ex-assessor jurídico da Casa Civil, também acusado de cumplicidade no suposto tráfico de influência.

A polícia já está recolhendo informações e, nos próximos dias, deverá pedir aos órgãos federais mencionados nas acusações cópias das propostas em que a Capital teria tentado tirar proveito. Os gestores dos contratos serão chamados para depor. Na próxima semana, a polícia deverá interrogar Fábio Baracat, que se aproximou de Israel Guerra e Vinícius Castro para negociar a renovação do contrato da Master Top com os Correios. Também será chamado para depor Rubnei Quicoli, que acusou Israel de cobrar R$ 5 milhões para ajudar na aprovação de um financiamento de R$ 2,25 bilhões do BNDES para a EDRB.

Segundo um delegado da PF, no decorrer das investigações, se surgirem indícios contra Erenice, a ex-ministra será chamada para depor. A convocação da ex-ministra se tornou mais fácil. Com o afastamento da Casa Civil, ela perde o foro privilegiado e pode entrar na lista de investigados sem autorização prévia do Supremo Tribunal Federal (STF). O delegado diz, no entanto, que ainda é cedo para dizer se a ex-ministra terá mesmo que prestar depoimento.

- A polícia não investiga pessoas, investiga fatos. Com o andamento do inquérito, os fatos vão se aclarando. E a partir daí, se define quem vai depor – disse o delegado.

Para a polícia, as denúncias divulgadas até o momento são graves e terão que ser devidamente esclarecidas não importa o impacto político das investigações. O inquérito tem prazo de 30 dias, mas pode ser prorrogado quantas vezes a polícia ou o Ministério Público Federal considerarem necessárias. Pelas dificuldades naturais da investigação, a indicação é que o caso não terá desfecho antes das eleições.

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